Mais que uma Flor no Deserto

9 jul

Foto: reprodução/ Sorriso encantador da modelo

Esta semana assisti a um filme que está relacionado à moda, mas, que, no entanto, não retrata todo aquele glamour que se vê no meio da moda. O filme que assisti: Desert Flower (Flor do Deserto).

O filme me tocou muito, pois, como já disse não se trata da história de uma carreira brilhante de mais uma modelo. É muito além disso. Ele conta a história da ex-modelo Warris Dirie, atualmente com 45 anos, e levanta uma polêmica discussão sobre a mutilação genital feminina na África.

Warris nasceu na Somália, e depois de ter assumido publicamente que tinha sua genitália mutilada, tornou-se porta voz do problema.

A ex-modelo fugiu para a Inglaterra aos 13 anos de idade, quando seu pai quis casá-la com um homem de mais de 60 anos. Chegando em Londres, trabalhou como faxineira de uma empresa de fast food, quando foi descoberta pelo fotógrafo inglês Terence Donovan, aos 18 anos. O resultado disso foi o extremo sucesso. Carreira que vem de encontro ao lembrar que na Somália não há esse tipo de ostentação, se é que se pode referir a moda como tal.

Foto: reprodução

Em 2002, Warris Dire viu necessidade de expor mais o problema das africanas, e, criou a Warris Dirie Foundation, que luta contra a mutilação genital feminina e, desde então, 16 países na África já aprovaram a proibição do costume. Segundo Warris, mesmo com a promoção do problema mais de 8 mil garotas ainda são vítimas todos os dias desse costume local.

Acredito que ações como estão são fundamentais para o desenvolvimento do mundo. Imaginem quantas crianças devem sofrer com o problema? É um verdadeiro retrocesso.

Bom, o filme foi baseado no livro que escreveu em 1998, intitulado Desert Flower, o significado de seu nome em somali.

Foto: divulgação

Um pouco mais sobre Warris:

Waris Dirie é uma modelo somali nascida em 1965 que sofreu com três anos de idade mutilação genital feminina. (A prática faz parte da cultura da Somália e consiste em arrancar o clitóris junto com os grande e pequenos lábios e depois a genitália é custurada, restado uma grande cicatriz e um pequeníssimo orifício. O procedimento é realizado de forma precária e sem condições ideais de higiene e assim, muitas meninas morrem de hemorragia ou infecção.

A justificativa para este ato brutal é que isso torna a mulher pura para o casamento e preserva a virgindade e sem isso, ela não poderia se casar. Quando do casamento, o marido reabre a genitália com uma faca para poder penetrá-la.) Waris Dirie fugiu da aldeia em que vivia com a família aos 12 anos de idade, um dia após saber que seria obrigada por seu pai a se casar com um homem de 60 anos, do qual seria a quarta esposa. Na época, atravessou sozinha um dos desertos somalicos inteiro, sofrendo com fome e sede e ficou com vários ferimentos nos pés, dos quais até hoje tem cicatrizes.

Conseguiu chegar até a capital de seu país, Mogadisco, onde encontra a sua avó que após algum tempo conseguiu que sua neta fosse levada a Londres para trabalhar como faxineira na Embaixada da Somália. Passou a adolescência apenas trabalhando na Embaixada, sem sair da casa onde esta se localizava, por isso mal aprendera a falar o idioma inglês. Após o término de uma Guerra na Somália todos da Embaixada foram convocados a retornar ao país. Waris Dirie foge pelas ruas de Londres e com ajuda de uma mulher, que tornou-se sua amiga, conseguiu emprego como faxineira em uma lanchonete. Lá, enquanto trabalhava, foi observada por um grande fotógrafo que a lançou no mundo como modelo. Waris Dirie converteu-se numa defensora da luta pela erradicação da prática da Mutilação Genital Feminina e atualmente é embaixadora da ONU. Escreveu vários livros sobre suas vivências e foi tema de um filme “Flor do Deserto”, lançado em 2010 no Brasil. Existe uma fundação com seu nome.

Não deixe de assistir:

Uma resposta to “Mais que uma Flor no Deserto”

  1. danna 08/12/2011 às 16:20 #

    o filme é excelente,acabei de asistir….parabens a toda a equipe.abraços
    danna norton

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